domingo, 24 de julho de 2011


CARTA SOBRE A FELICIDADE
(Epicuro)

Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la.
Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.
Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade.
Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção a noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que seja diferente deles.
Acostuma-se à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade.
Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar viver. É tolo portanto quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.
Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no momento, a maioria das pessoas a foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida.
O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal.
Assim, como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.
Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas também porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente morrer. Mas pior ainda é aquele que diz: bom seria não ter nascido, mas uma vez nascido, transpor o mais depressa possível as portas do Hades.
Se ele diz isso com plena convicção, por que não se vai desta vida? Pois é livre para fazê-lo, se for esse realmente seu desejo; mas se o disse por brincadeira, foi um frívolo em falar de coisas que brincadeira não admitem.
Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.
Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo.
Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. de fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.
É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer e dor.
Embora o prazer seja nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. Portanto, todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas. Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e dos danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem.
Consideramos ainda a auto-suficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.
Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.
Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não é só conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temos as vicissitudes da sorte.
Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam as pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos. De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ele é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça sem felicidade. Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas.
Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremos ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanham a censura e o louvor?
Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do destino dos naturalistas; o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos deuses através das homenagens que lhes prestamos, ao passo que o destino é uma necessidade inexorável.
Entendendo que a sorte não é uma divindade, como a maioria das pessoas acredita (pois um deus não faz nada ao acaso), nem algo incerto, o sábio não crê que ela proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática, é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um projeto mau.
Medita, pois, todas estas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.
Epicuro *
Do livro: “Carta sobre Epicuro”, Editora Unesp, ed. bilíngue, grego/português, tradução de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carratore, 1997, SP

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Física, Deus e Filosofia




A física é uma área competente e capacitada para a experiência em torno da existência de Deus?

O físico teórico Michio Kaku, considerado um dos cientistas mais importantes da atualidade, diz ter criado uma teoria que pode apontar a existência de Deus.

Kaku chegou à essa conclusão por meio de um estudo, ele usou um “semi-raio primitivo de táquions” (Táquions são partículas teóricas, capazes de “desgrudar” do Universo a matéria ou vácuo que entrar em contato com ela, assim, deixando qualquer coisa livre das influências do universo à sua volta), tecnologia criada recentemente em 2005.Embora a tecnologia para chegar às verdadeiras partículas de táquions ainda esteja muito longe de ser alcançada, o semi-raio tem algumas poucas propriedades dessas partículas teóricas, que são capazes de criar o efeito dos verdadeiros táquions, em escala subatômica.

Os resultados dessas experiências fizeram Michio concluir que a existência de “Deus” se deve ao fato de nós vivermos em uma “Matrix”.

“Cheguei à conclusão que estamos em um mundo feito por regras criadas por uma inteligência, não muito diferente do seu jogo preferido de computador, claro, impensavelmente mais complexa,” disse.

Ele analisou o comportamento da matéria em escala subatômica e percebeu que a parte afetada pelo semi-raio primitivo de táquions, um minúsculo ponto do espaço, estava totalmente livre de qualquer influência do universo, matéria, força ou lei.

“Acredite, tudo que nós chamávamos de casualidade até hoje, não fará mais sentido. Para mim está claro que estamos em um plano regido por regras criadas, e não moldadas pelo acaso universal”, comentou o cientista.

O comentário de Kaku criou alvoroço no meio científico, dado a sua importância no meio, em especial pela criação da Teoria das Cordas que o fez ser extremamente respeitado por outros cientistas.

A pertinência do Nome

(2Filosofia Clínica)

(2Filosofia Clinica)

Leia a matéria a seguir com Lúcio Packter, Qual a sua opinião
a respeito? Acha que o título da matéria corresponde ao que
o filósofo disse sobre o assunto?

Significados e Equivocidades

(1Filosofia Clínica)

Há muitas trocas de e-mails e mensagens na Internet.


Vamos supor que você é um professor de filosofia clínica, gaúcho e recebe de uma colega, especialista em Filosofia Clínica, um e-mail com o seguinte enunciado:
"Um engenheiro gaúcho teve a feliz ideia de mandar fazer desenhos no muro de uma ponte em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Toda a população, principalmente a masculina, adora a sombra que o muro projeta. Já virou ponto turístico da cidade que os gaúchos vão visitar em romaria. Não se cansam de admirar a obra que vai ser tombada como patrimônio municipal."
Você entenderia isso como brincadeira, piada de gosto duvidoso, equivocidade ou outra coisa?


Resposta - A natureza da interseção entre as pessoas envolvidas deve ser pesquisada, além de outros fatores que podem ser importantes. Estes fatores vão dos dados de semiose ao significado e passam por diversas variáveis. Exemplo: a pessoa que enviou costuma enviar este tipo de e-mail? Pode ter sido um engano? A pessoa pretende lhe passar algum comentário via Vice Conceito? Qual o nível cultural e social desta pessoa? Esta pessoa, por Recíproca de Inversão, conhece o que e de que forma será tal e-mail recebido? Há termos equívocos. Enfim, estamos diante de uma série de elementos que pedem verificação antes de atendermos como entender tal mensagem.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O VAZIO DA VIDA ACADÊMICA


O VAZIO DA VIDA ACADÊMICA.
(Ângelo Monteiro)


Certas posturas e inflexões, certa forma de dizer não dizendo, a constante cautela com qualquer ponto de vista que possa soar polêmico ou politicamente incorreto: tudo isso termina concorrendo para que os nossos mestres se tornem cada vez mais impermeáveis a todo tipo de ação criadora. Se jamais acreditei que a igreja, a Sinagoga e a Mesquita tenham mais do que dar às nossas almas que o próprio Deus, muito menos me julgo obrigado a crer que qualquer instituição universitária, por melhor que seja, venha a conceder mais ao estudioso do que o estudo nas próprias fontes. Por isso não consigo ver a Universidade como um ambiente sagrado – como até alguns jovens de sisuda inteligência o conseguem – em que a voz de como a de um papa ou de um profeta do Velho Testamento.

O que acontece, na maioria das vezes, é justamente o contrário: como quando eu próprio me vi submetido a um processo de avaliação docente, em que perdi pontos porque entreguei a meus examinadores um livro então publicado em lugar de um suposto material didático, (quando bastava, segundo eles, uma cópia em xerox do original), -como se um livro de Filosofia da arte não fosse um material didático – e porque não tinha participado, nos dois últimos anos, de nenhuma banca examinadora, como se isso dependesse de mim, e como se o ato de avaliar e ser avaliado fosse superior ao de pensar, ensinar, escrever e publicar livros...

Daí o vazio da chamada vida acadêmica, onde o que menos conta é o conhecimento em si mesmo, e onde o magistério detém menos importância do que a atividade administrativa; e o que mais sobra, além das discussões teóricas sobre gêneros e manifestações periféricas, e das reuniões intermináveis, é a luta por cargos e consultorias. Péssima como esposa ou como amante, protocolar e rígida, a Universidade hoje – sobretudo em termos de ciências humanas, dominadas por critérios unicamente ideológicos – só costuma despertar o entusiasmo de espíritos rotineiros e subalternos, ou de almas temerosas de comprometimento com qualquer coisa mais exigente, sobretudo com as coisas do espírito.

O ambiente universitário, por vezes, um espetáculo não muito sedutor para os inquietos de espírito quando, fechado num círculo de formas protocolares do dizer e do fazer de uma casta à parte, vê o mundo apenas através do disfarce das lunetas acadêmicas, concebendo o conhecimento mais como um meio de obter status que de alcançar o difícil troféu da sabedoria.


Desta só me resta hoje, além da ligação pessoal com algumas figuras independentes, a afável lembrança dos alunos que ainda me convidam, como recentemente, para paraninfo de suas turmas. Um sinal de que também, não foi má a lembrança que lhes deixei...
Fonte: Jornal Contraponto, 342-.
15 a 21 de julho de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

AS MÃES-NOSSAS-DE-TODO-BRASIL




"Queremos continuar crescendo nosso espaço político na aldeia e fora dela, pois somos capazes e isso é importante para acabar com o preconceito de que mulher indígena só serve pra cuidar dos filhos e da casa. Todo dia é dia da mulher indígena, pois trabalhamos muito duro pelo nosso povo, porém é importante termos uma data para comemorar nosso dia e é por isso que temos o dia 30 de outubro como o nosso dia." (Olinda Muniz Pataxó Hã-hã-hãe)



A ideia moderna de ‘Raça’- termo absoleto substituído por Etnia, se baseia na ancestralidade do final do século XVIII,ao multiculturalismo nos últimos 30 anos. Nesse período começa a se formar correntes, que fazem dos interesses raciais, a plataforma política.
Temos como exemplo na India que casta é considerada sinônimo de raça. Na Malásia,há a tônica da supremacia racial dos malaios sobre os chineses
étnicos.Segundo o sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em Geografia humana
pela Universidade de São Paulo(USP),no processo histórico,é interessante
mencionar alguns expoentes, como Carolus Linaeus (1707-1778), o inventor da taxinomia biológica, que no século XVIII definia que havia raças africana,
asiática, européia e americana. Jà Arthur de Gabineau (1816-1882),no século
seguinte, foi o primeiro a relacionar a raça humana à história. Ele teve uma
passagem importante no Brasil, ao se aproximar de D.Pedro II. Exerceu certa influência para que houvesse a migração de europeus ao país. Por volta de
850, havia a mentalidade de que a raça branca era superior.
o MITO da raça se consolida, como conhecemos hoje, com o Darwinismo, de acordo com Magnoli, se tornando istrumento de política, e qe também á está provado que as Ciências Naturais estavam erradas.A escravidão moderna do século XVI ao século XIX, não precisava de justificativa ou moral. Era estabelecida pelas guerras e por dívidas. ninguém achava que os seres humanos eram iguais por natureza, até o século XVIII, com o Iluminismo.

A época do Imperialismo, na busca de colonização da África da Ásia, começa o fomento ao mito da raça,com o argumento de que deveriam ser civilizados. Enquanto os africanos se organizavam em clãs, os europeus os classificavam em tribos, e os estabeleciam como etnias."Quando quem nomeia é o Estado, é um ato de poder e isso tem significados políticos",diz Magnoli.Asim começam as políticas étnicas na África, inroduzidas principalmente por ingleses e belgas.
O mito da raça serviu também para a consolidação de nacionalismo racial, na Alemanha Nazista em Ruanda e nos EUA."Hoje se vive outra etapa retrógrada, que virou a ideologia dos ditadores africanos, que não querem na verdade acabar co as fronteiras da Àfrica. Como se tudo de ruim só fosse oriundo do passado colonial e não do govrno atual", analisa o sociólogo. E nos últimos 30 anos, segundo ele, houve a reinvenção desse mito, com a linguagem do multiculturalismo.
FONTES:1)Café Filosófico -USP (25.11.2009)-2)Revista Ciências e Vida-FILOSOFIA-nº42 - 3) Demétrio Magnoli.
IMAGEM RETIRADA DE: www.overmundo.com.br/banco/o-mito-da-raca

domingo, 27 de março de 2011

CEM ANOS E AS 20 FOTOGRAFIAS QUE MARCARAM ESSE PERÍODO

Cem anos que parecem ter sido mil, o Século XX foi sem dúvida o da velocidade histórica. Nessas dez décadas o homem foi capaz de registrar sua história como nunca antes e desenvolveu sozinho mais tecnologia do que nos primeiros 18 séculos da era cristã. Com isso, muitas fotos tiradas nesse tempo foram vistas ao redor do globo e entraram para o inconciente coletivo como retratos de um período histórico repleto de revoluções sociais, sexuais, políticas, econômicas, científicas e industriais.


1-Essas imagens são, para muitos, referências únicas de acontecimentos históricos cruciais do século XX. São fotos ganhadoras de prêmios Pullitzer, fotos que estamparam as capas das revistas mais importantes do mundo ocidental, que viraram símbolos de luta e que foram incorporadas pela cultura pop em capas de livros, paródias, souvenirs e em milhares de diferentes produtos comerciáveis.Alguns desses cliques foram considerados extremamente controversos quando publicados. Hoje pintam um panorama geral desse século de conflitos em escala global, incontáveis genocídios, e que marcou a história da humanidade tão profundamente que sua repercussão pode alterar ainda hoje o rumo da vida na Terra como a conhecemos.



2-First Flight [1903] - O vôo de doze segundos dos irmãos Orville e Wilbur Wright foi registrado para a posteridade em dezembro de 1903 pelo fotógrafo John T. Daniels. Famoso por ser o primeiro vôo em território americano, o dia marcou a entrada desses dois mecânicos de bicicletas para a história mundial e terminou com os irmãos Wright conseguindo fazer seu projeto 1902 Glider planar por mais de um



3-Triangle Shirtwaist Company Fire [1911] - O incêndio que aconteceu na tecelagem Triangle matou 146 mulheres que trabalhavam na fábrica no dia 25 de março de 1911. -A tragédia só matou tanta gente por que as portas do galpão ficavam trancadas por fora, para impedir que as trabalhadores deixasses seus postos ou roubassem a mercadoria. O incêndio e sua cobertura na imprensa deram uma grande força ao movimento dos direitos trabalhistas nos EUA no início do século,.



4-Lunch atop a Skyscraper [1932] - A foto clássica tirada por Charles C. Ebbets, especialista em fotos de operários da década de 30, e é uma dessas imagens que foram apropriadas pela indústria cultural depois dos anos 60. Com certeza você já viu milhões de paródias dessa imagem, seja com o elenco da série Friends ou com personagens de desenhos, quadrinhos e games. A foto original traz onze operários almoçando em uma viga no 69º andar do GE Building, enquanto este estava sendo construído em Nova York.



5-Retrato de Winston Churchill [1941] - Amplamente considerado o retrato fotográfico mais reproduzido da história, apesar de esse ser um dado muito complicado de apurar. A foto foi tirada por Yosouf Karsh durante uma visita do estadista inglês ao Canadá e estampou a capa da revista Time na edição do dia 21 de maio de 1945



6-Raising the flag on Iwo Jima [1945] - Clicada por Joe Rosenthal a imagem marcou a vitória americana sobre as tropas japonesas no pacífico no último ano da segunda guerra. A foto tornou-se rapidamente um símbolo do orgulho americano na guerra virando selo, centenas de posters e sendo abraçada rapidamente pela cultura popular. Essa foi a primeira foto a ganhar um prêmio Pulitzer no mesmo ano de sua publicação.

7-V-J Day, Times Square, [1945] - Mais um clássico da Segunda Guerra, a foto do marinheiro beijando uma moça em celebração nas ruas de Nova York também ganhou rapidamente o inconsciente coletivo americano. O beijo marca o dia da rendição oficial japonesa e, reza a lenda, rendeu ao marinheiro um belo bofetão no rosto. Aposto que ele ainda acha que valeu a pena



8-Segregated Water Fountains [1950] - Essa foto foi tirada por Eliott Erwin na Carolina do Norte em 1950 e marca um período político dos EUA batizado de Separado porém Igual, uma doutrina política que instalou a separação total de brancos e negros nos estados do Sul à partir de 1890. A foto mostra bem que a segregação não tinha nada de igualitária, principal fator usado pelo movimento de direitos civis para revogar as leis de segregação, que só caíram em âmbito federal nos EUA em 1964.



9-Albert Einstein [1951] - O retrato do gênio da física mostrando a língua foi tirado por Arthur Sasse, um desconhecido fotógrafo que fez fama internacional graças ao clique perfeito. Einstein gostou tanto da foto que no mesmo ano enviou o retrato para vários amigos como uma espécie de cartão. No fim dos anos 90, o original da imagem foi leiloado por mais de US$ 72 mil, tornando-se o mais caro retrato de Einsten já vendido



10 -Guerrillero Heroico [1960] - Quantas milhões de camisetas com essa foto foram produzidas nós não sabemos. O clique do fotógrafo cubano e membro ativo da revolução socialista na ilha, Alberto Korda, que mostra Che Guevara usando uma boina preta, virou símbolo da luta de classes na América Latina nos anos 60 e 70. Tanto é que foi desse retrato que saiu o molde para a estampa de Che Guevara na nota de três Pesos Cubanos



11-Self-Immolation [1963] - Tirada em um 11 de junho por Malcolm Browne, a foto mostra o ato de protesto do monge budista vietnamita Thich Quang Duc, que ateou fogo a si mesmo em protesto à perseguição religiosa que seu grupo sofria no país e ao crescimento desenfreado dos conflitos que viriam a culminar na entrada dos EUA efetivamente na Guerra do Vietnã. A imagem depois tornou-se símbolo da resistência à guerra na Ásia e acabou até estampando a capa do disco de estreia do Rage Against The Machine



12-How Life Begins [1965] - Publicada pela revista Life em 65, a série de fotos de Lennart Nilsson tiradas com um endoscópio revelaram pela primeira vez com clareza o desenvolvimento de um feto no interior da barriga da mãe. As imagens ganhatam uma série de 18 páginas na revista que, até então, era a mais lida dos Estados Unidos. Na mesma época, movimentos contra o aborto e pró-vida em geral usaram as fotos como bandeira de sua luta.



13-Execution of a Viet Cong Guerrilla [1968] - Cinco anos depois da entrada real dos Estados Unidos na guerra, o Vietnã já era uma batalha que a América não podia ganhar. A foto de Eddie Adams mostra o delegado de polícia do Vitenã do sul, Nguyen Ngoc Loan, executando um homem que os aliados dos americanos julgaram ser um líder vietcong. Publicada no mesmo ano nos EUA, a foto ganhou um prêmio Pullitzer e também virou bandeira dos movimentos sociais contra a guerra.



14-Phan Thi Kim Phúc [1972] - Nos últimos anos da Guerra do Vietnã, o horror era representado pela chocante imagem da jovem Phan Thi Kim Phúc, uma criança vietnamita de 9 anos, correndo nua e com os membros queimados pelo Napalm usado pelas tropas aliadas dos Estados Unidos para queimar a folhagem densa das selvas. Mais uma das imagens que marcaram o horror da guerra no sudeste asiático.



15-Afghan Girl [1984] - Na mais famosa capa da National Geographic de todos os tempos está retratada Sharbat Gula, na época com 12 anos, clicada por Steve McCurry em uma reportagem da revista que registrava a ocupação soviética no Afeganistão. A identidade da menina, entretanto, só foi revelada em 2002, quando uma equipe do National Geographic voltou ao Afeganistão e conseguiu localizar Gula para mais uma matéria de capa da revista.



16-Omayra Sánchez [1985] - Uma das 25 mil vítimas da erupção do vulcão Nevado del Ruiz, na Colômbia, a garota ficou conhecida mundialmente por ter ficado presa em um enorme tanque cheio de água e concreto, onde acabou imóvel por três dias antes de morrer. A foto foi reproduzida em revistas ao redor do mundo e colocou o fotógrafo Frank Fournier no mapa. Muito criticada por ser uma imagem muito forte, a foto serviu para chamar aatenção internacional para o descaso com que as comunidades latinas pobres eram (e ainda são) tratadas por seus governantes.




17-Tiananmen Square [1989] - Até hoje, não se conhece a identidade do herói da mais emblemática foto dos protestos chineses de 1989 que chegou a ser publicada. O jovem parou por alguns minutos diante de uma fila de tanques que combatiam os manifestantes no local e, até hoje ninguém sabe direito porquê, não foi simplesmente atropelado pelo motorista do veículo. Tudo aconteceu muito rápido, mas o clique eternizou o momento e tornou esse ilustre desconhecido um símbolo da resistância aos regimes ditatoriais.


18-Stricken child crawling towards a food camp [1994] - Também conhecida como "A vulture watches a starving child", esta é mais uma foto da nossa lista que levou um prêmio Pullitzer. Depois de viajar por todo o sul da África fotografando a pobreza das populações locais, Kevin Carter sentia-se assombrado pelas imagens que registrou e acabou se suicidando logo depois de receber o prêmio por essa foto.




19-The plight of Kosovo refugees [1999] - Durante os conflitos entre sérvios, albaneses e kosovares na antiga Iugoslávia em 1999, muitas famílias (especialmente as inter-étnicas) acabaram separadas pela guerra e presas em campos de prisioneiros. Essa foto de 99 clicada pela fotógrafa do Washington Post, Carol Guzy (única mulher da nossa lista) e também ganhou um prêmio Pullitzer. A imagem mostra o reencontro do jovem refugiado muçulmano Agim Shala, de apenas 2 anos, com seus avós presos em um campo albanês na cidade de Kukes.



20-Bliss [2000] - A foto mostra uma colina com um belo céu azul e foi tirada ainda nos anos 90 pelo fotógrafo Charles O’Rear em Napa County, na Califórnia. A foto foi comprada pela Microsoft através da empresa HighTurn e transformou-se no tema padrão do sistema operacional Windows XP no último ano do século. O trabalho de O'Rear chegou a ser publicado em uma grande revista, a National Geographic, no ano de 1979, quando ilustrou com suas fotos o artigo Napa, Valley of the Vine.

FONTE: REVISTA T R I P