quarta-feira, 16 de março de 2011

Macetes para memorizar fórmulas


Macetes para memorizar fórmulas


Física
Calorimetria
Fórmula: Q = M.C.T
Uso: Fórmula para medir variação de calor de um corpo.
Macete: Qui Ma Ce Te
Calorimetria
Fórmula: Q = M.L
Uso: Fórmula para medir variação de calor de um corpo.
Macete: Qui MoLeza
Pressão
Fórmula: P.v = n.R.t
Uso: Fórmula para medir a pressão de gases e liquidos
Macete: Por Voce = nunca Rezei tanto
Espaço no M.R.U.
Fórmula: S= So + V.t
Uso: Fórmula para medir o tempo, espaço e velocidade no M.R.U.
Macete: Sorvete
Velocidade
Fórmula: V = Vo + A.T
Uso: Fórmula para medir a velocidade final, inicial, tempo de deslocamento ou atrito de um corpo.
Macete: Vi Você a Toa
Português
Conjunções e Locuções Conjuntivas Subordinativas
São elas: Concessivas, Condicionais, Comparativas, Causais, Conformativas, Consecutivas, Temporais, Proporcionais, Finais e Integrantes.
Macete: CoCoCom CaCoCo TemProFinIn
Matemática
Adição de Arcos
Uso: Fórmula de adição de arcos
Macete: Usar os macetes que estão em frente às fórmulas e prestar muita atenção nos sinais
Fórmulas:
- cos(A-B) = cosA.cosB + senA.senB
(coça A, coça B + senta A, senta B)
- cos(A+B) = cosA.cosB - senA.senB
(coça A, coça B - senta A, sentaB)
- sen(A-B) = senA.cosB - senB.cosA
(senta A, coça B - senta B, coça A)
- sen(A+B) = senA.cosB + senB.cosA
(senta A, coça B + senta B, coça A)
Raízes de Eq. de 2o. Grau
Ex: ax²+bx+c=0
Fórmula: soma das raízes = -b/a , e produto das raízes = c/ a
Uso: em equações de 2° grau, para achar as raízes rapidamente
Posição do seno e cosseno
Macete: quem tá de pé tá sem sono, quem tá deitado tá com sono.
Química
Tabela de Linus Pauling
Uso: Para gravar a ordem da tabela de Linus Pauling: S, P, D, F:
Macete: Sepultura Para Defunto Fresco
Nomenclatura de Acidos
Uso: Nomenclatura de acidos, troca-se ISO por OSO, ATO por ICO e ETO por IDRICO.
Macete: mosquITO teimOSO, te mATO te pICO, te mETO no vIDRICO
Isóbaros, Isótanos e Isotopos
- Isóbaros tem o mesmo numero de massa (A)
isob A ros
- Isotonos tem o mesmo numero de neutrons (N)
isoto N os
- Isotopos tem o mesmo numero de protons (P)
isoto P os
Geografia
Era Paleozóica
Períodos: Permeano, Carbonífero, Devoniano, Siluriano, Ordoviciano, Cambriano
Macete: Paulo Comeu Doce Sobre O Colchão
Era Mesozóica
Perídos: Cretáceo, Jurássico, Triássico
Macete: Centro Japones de Tradição
Planetas do Sistema Solar
Uso: Para decorar o nome dos planetas do sistema solar, na ordem a partir do Sol
Planetas: Mercúrio, Venus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão
Macete: Minha Velha Traga Meu Jantar, Sopa, Uva, Nozes, Pão
História
Governadores Gerais, Brasil Colônia
O Brasil-colônia teve três Governadores Gerais, a saber: Tomé de Souza, Duarte da Costa, Mem de Sá
Macete: basta lembrar que: "Todo Doidinho Morde", ou que "Tesão Demais Mata".
Presidentes do Brasil República
Presidentes: dutra, vargas, juscelino, janio , joao goulart
Macete: duvajujanjo
Presidentes Militares
Presidentes: castelo branco, costa e silva, medici, geisel, figueiredo
Macete: cacomegefi
Sistema de Plantation
O sistema de plantation, utilizado na produção açucareira colonial, é caracterizado pelo tripé: Monocultura, Escravismo e Latifúndio
Macete: MEL
Biologia
Níveis Taxonômicos
Para decorar a sequência: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie, memorize essa frase: O rei ficou claramente orgulhoso da família do gênro escolhido
Bases Nitrogenadas
Nomes das Bases Nitrogenadas: A - T, G - C
No DNA: Adenina,Timina,Guanina,Citosina
No RNA: Substitui Timina por Uracila
Macete: Agnaldo Timoteo e Gal Costa
Zoologia
Para decorar as classes: poríferos, cnidários, platelmintes, asquelmintes, anelídios, moluscos, artrópodes, equinodermos, chordados
memorize essa frase: POR Certos PLAnos ASQUErosos ANa MOLestou-se ARrependeu-se EQUIs CHORar
Fases da Meiose/Mitose
Para decorar as fases: Prófase, Metáfase, Anáfase, Telófase
memorize essa frase: Prometo a Ana Telefonar
Fases da Prófase I
Novo macete para decorar as fases: Leptóteno, Zigóteno, Paquíteno, Diplóteno, Diacinese
memorize essa frase: Linda Zebra PAstando Durante o DIA

HISTÓRIA DA HUMANIDADE

terça-feira, 15 de março de 2011

O DESENHO ANIMADO PATO DONALD / TIO PATINHAS

O DESENHO ANIMADO PATO DONALD / TIO PATINHAS




O livro pequeno e divertido “PARA LER O PATO DONALD”, publicado no Chile, início da década de 1970, provocou barulho no mundo fantástico dos quadrinhos. Os autores Ariel Dorfman e Armand Mattelart escrevem esse livro, de inspiração marxista, num período em que o governo de Salvador Alende tentava sobreviver às pressões do imperialismo americano.
A intenção, há quem diga, dos autores era de denunciar a ideologia imperialista que dominava as ‘aparentes e inocentes’ histórias infantis da Disney.
Dorfman e Mattelart pareciam acreditar que as histórias em quadrinhos de Tio Patinhas e companhia (Pato Donald, Margarida, sobrinhos Huguinho, Luizinho e Zezinho ) preparavam ou incutiam valores na criançada do Terceiro Mundo para serem subservientes aos países de Primeiro Mundo, e é óbvio, em especial aos EUA.
Pontos da ideologia nas historinhas de Tio Patinhas /Pato Donald:
1- Com relação à vida familiar:
-Nas histórias de Pato Donald e companhia, não há nenhum vínculo familiar direto nas histórias de Pato Donald e seus amigos - todos são tios ou sobrinhos de alguém.
-Estratégia de Disney para mortalizar os personagens transformando-os em símbolos numa sociedade que refletia a dominação capitalista.
-O perfil de ser humano bem sucedido e, por conseguinte feliz seria, o rico, ou aquele que possuía riquezas.
2- Os personagens são movidos apenas pela ambição ao dinheiro.
3-Não há relações de amizade desinteressada apenas relações comerciais:
- Ninguém ama ninguém jamais há um ato de carinho ou lealdade ao próximo.
-O homem está só em cada sofrimento: não há uma mão solidária ou gesto desinteressado.
-O amor de Margarida nos quadrinhos é personificado quase sempre como interesse financeiro, como exemplo uma conversação em um dos gibis:
MARGARIDA: Se você me ensina a patinar esta tarde darei uma coisa que você sempre desejou.
DONALD: Quer dizer?...
MARGARIDA: Sim... A minha moeda de 1872.
SOBRINHO: Uau! Completaria nossa coleção de moedas, Tio Donald!
METÁFORAS E INTERESSES
Superior- Tio Patinhas (EUA) –Patópolis.
Subordinados/Subservientes-- países de Terceiro Mundo
No mundo de Disney (Patópolis) ou a representação dos EUA, todos os povos são americanos. Enquanto são mostrados de forma depreciativa – os povos não civilizados, metáfora do Terceiro Mundo é como crianças, afáveis, despreocupados, ingênuos, felizes, tem ataques de raiva, quando são contrariados, mas é muito fácil aplacá-los com presentes de quinquilharias.
Numa aventura , por exemplo, Donald parte para a longínqua Comgólia. Lá, os negócios do Tio Patinhas estão sendo prejudicados porque o rei proibiu seus súditos de se darem presentes de natal, pois todo o dinheiro deve lhe ser entregue. Ao chegar de avião, o pato é tomado por um deus e acaba destronando o rei. Sua primeira ação é ordenar que todos comprem presentes para suas famílias. Quando as vendas terminam e os armazéns do Tio Patinhas estão vazios, Donald devolve a coroa ao rei, agora mais sábio do que antes. O governante aprendeu que, para se manter no poder, precisa se aliar ao capitalismo internacional.
ANALOGIAS:
1-As lutas de classes são ridicularizadas. Numa aventura que é referência direta à guerra do Vietnã, os guerrilheiros param de lutar para curtir soneca após o almoço. Em outra situação, um grupo de hippies está fazendo uma manifestação contra a guerra. Ao vê-los Donald oferece limonada de graça, é o bastante para que a passeata se desfaça.No mundo de Disney, os idealistas vendem seus ideais por uma jarra de limonada de graça.
2-Donald é também “vitima” desse mesmo imperialismo. O Tio faz e desfaz dele e obriga-o a viajar a regiões mais longínquas do planeta e jamais o recompensa satisfatoriamente.
{Alguns estudiosos posteriores se perguntaram por que Donald não se rebela contra a tirania do tio. A resposta é simples : está na analogia 3:}
3-A esperança que Donald tem de um dia herdar a fortuna de Patinhas. Da mesma forma a América latina tem a esperança de se tornar um país desenvolvido. Criou-se até a expressão ‘países em desenvolvimento’ para expressar essa vontade.
4-Mas o Tio Patinhas nunca morre. Aliás é bastante provável que ele sobreviva ao sobrinho, pois é sempre Donald que se arrisca nas missões perigosas.
O livro “Para Ler o Pato Donald” trata de temas como a falta de progenitores nos quadrinhos Disney, a relação com o universo feminino, a busca incessante das personagens pelo ouro, o dinheiro como fim último em praticamente todas as histórias, como são retratados os países para qual as personagens viajam entre outros. Muito válido para quem deseja conhecer um pouco mais do universo Disney e sobre a utilização de quadrinhos como meio de propaganda de ideologias. Claro que, por se tratar de um livro com viés político, algumas partes são exageradas. Cabe ao leitor saber o que vale a pena levar a sério. Uma dica, depois ou durante a leitura do livro, leia também quadrinhos da Disney para perceber o que realmente tem fundamento.
FONTES: Gian Danton (Discutindo Filosofia - Revista Especial 05)
Livro: Para Ler o Pato Donald
O CAPITAL, Karl Marx

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Noção de PESSOA ao longo do tempo...

A filosofia é a desbanalização do banal, o que tem de mais corriqueiro, aquilo
que você vê todos os dias e não dá explicação. A ciência procura explicar aquilo
que não conhecemos.

O homem começou a se indagar sobre "o que é ser alguém" ainda na Grécia antiga, quando a Filosofia estava apenas começando. Deste período até hoje, a ideia que se tem sobre o tema passou por muitas mudanças. Leia, a seguir, nesta breve linha do tempo, como se construíram as visões que predominaram ao longo da história:

ANTIGUIDADE:


Sócrates (469-399 a.C.) • foi o filósofo que trouxe o exame da vida humana para o centro do debate. Ele muda o foco da Filosofia do cosmos para o anthropos, indagando sobre temas como a virtude, a justiça e o poder.

Platão (428/427 - 348/347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.) • ambos desenvolveram as questões a repeito do homem levantadas por Sócrates e tentaram encontrar definições para o ser humano.

IDADE MÉDIA:

• Seus vários períodos, marcados pelo domínio da Igreja católica, não se restringiram a considerar o homem como imagem e semelhança de Deus. Ele também foi pensado como parte de um projeto cosmo-teológico que o colocava como pivô de forças cósmicas em combate.

MODERNIDADE:

• O Iluminismo • funda as bases da moderna noção de pessoa, que passa a ser pensada como racional, livre e responsável por suas ações.




Immanuel Kant (1724-1804) • o filósofo escreve sobre o Iluminismo, na Resposta à questão: o que é o Iluminismo, e afirma ser ele a chegada do ser humano à sua maioridade, o que significa a liberdade de decisão por si mesmo e, em contrapartida, a liberdade de suas ações. Na Crítica da Razão Prática, afirma que as pessoas devem ser consideradas como fins em si e não como meios - se todos os seres humanos são iguais, deve-se tratar a todos do mesmo jeito.

• Revolução Francesa • o lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" traz um conceito de pessoa, o "cidadão", permeado por essa mesma liberdade mencionada anteriormente e que inclui a necessidade de que todos sejam tratados como iguais. Seres livres e iguais que só poderiam escolher, como princípio de vida, a fraternidade.

• Em muitos momentos, no entanto, alguns homens foram tratados como "inferiores", apontando a fragilidade do conceito de pessoa construído até então. Como exemplos, os vastos impérios coloniais europeus, que dizimaram milhares de indivíduos nas colônias da África e da Ásia; os fascismos europeus; o regime de segregação na África do Sul; e os diversos conflitos étnicos e políticos.

Schopenhauer (1788-1860) • antes mesmo de Freud, indica que o ser é guiado não pela razão, mas pela vontade, descrita como uma força "cega e irracional" que o anima.



CONTEMPORANEIDADE:


Freud (1856-1939) • mudou a noção de "pessoa" ao descobrir o inconsciente, que acrescentou à dimensão racional uma ligação profunda com forças irracionais.


Edgar Morin (1921) • propõe que o humano seja pensado, além de em sua dimensão racional, também em termos afetivos, emocionais, sensíveis, mesmo loucos - ao lado do Homo sapiens aparece o Homo demens.

Fontes utilizadas:

Arístóteles - Kenneth Mclesh
Revista Filosofia -número 55 ano V

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SABER FILOSÓFICO vs CIBERESPAÇO

SABER FILÓSOFICO vs CIBERESPAÇO




Em nosso cotidiano, nas conversas diárias, ouvimos e emitimos opiniões informais que refletem conhecimentos vagos a respeito de diversos assuntos. Esse tipo de conhecimento mediano constitui o conhecido “senso comum”, que é compartilhado pela maioria das pessoas. Por ser mais simples , aparenta ser mais acessível que a Filosofia. E as pessoas possuem opiniões sobre diversos assuntos.
Ao senso comum pertence um conjunto de concepções, muitas vezes repletas de noções falsas, parciais ou mesmo preconceituosas sobre temas diversos. O senso comum tem como características principais a imprecisão, a incoerência e a fragmentação, isso porque os conceitos não definem de forma clara o seu conteúdo, não possuem uma lógica ou mesmo um estudo sistemático do objeto estudado.
A maior parte das pessoas considera a Filosofia como algo muito complexo, confuso e nada prático quando comparada com o senso. Sobre a Filosofia, o filósofo Bertrand Russel dizia que “é preciso que se tenha cautela quanto ao que se julga saber; deve-se ainda possuir penetração lógica e o hábito do pensamento exato”.

O SURGIMENTO DA FILOSOFIA.

A Filosofia surgiu nos séculos 7-6 a. C. nas cidades gregas situadas na Ásia Menor. Ela envolve a investigação, a argumentação, a análise, a formação e reflexão de ideias sobre o mundo, o homem e a realidade. Durante séculos, ela foi ensinada e discutida de diversas formas.

Pode-se dizer que a Filosofia tenha surgido no momento em que o homem procurou explicar por seus próprios meios seu mundo e sua existência. As perguntas fundamentais deixaram e ser respondidas pelos oráculos e sacerdotes que interpretavam a linguagem divina e os desejos dos deuses. A partir dessa época, as perguntas importantes passaram a ser respondidaspela razão humana.
Etimologicamente é formada por dois termos gregos: filos que traduz a ideia de amor e sofia que significa sabedoria. Dessa forma, o seu sentido etimológico é “amor à sabedoria”. Com o passar do tempo a palavra perdeu seu sentido etimológico. Na própria Grécia, o termo passou a designar não apenas o amor ou a procura da sabedoria, mas um tipo especial de sabedoria que nasce do uso metódico da razão, da investigação racional em busca do verdadeiro conhecimento.
Até então as explicações sobre a vida e o mundo tinham como base os mitos com narrativas fantásticas que incluíam deuses, forças da natureza e seres humanos. A mitologia formada por lendas e crenças era repleta de simbolismos que forneciam explicações sobre a realidade do universo, a conduta dos deuses e homens e as leis da natureza.

Ao contrário do mito, o saber filosófico sempre procurou explicar o mundo por meio de princípios racionais lógicos, tentando desvendar as relações de causas e efeitos entre as coisas. Na Grécia Antiga, ele passou a designar a totalidade do conhecimento racional desenvolvido pelo ser humano, abrangendo diversos tipos de conhecimentos como a Matemática, Astronomia, Física, ética, etc.
Pode-se dizer que todo o conjunto dos conhecimentos racionais na Antiga Grécia fazia parte do universo do saber filosófico. Esse caráter amplo e universalista se manteve durante a Idade Média e só foi alterado na Idade Moderna com o nascimento de estudos especializados e ciências particulares que se desprenderam do abrangente saber filosófico, tais como a Matemática, a Química, a Biologia, a Sociologia, etc.

ÀGORA

A Filosofia era, a princípio, um diálogo aberto ao público, praticado na ágora, principal praça das cidades gregas. Os cidadãos passavam a debater temas de interesse social e individual.
Ensinava-se a filosofia não para que o cidadão pudesse repetir de maneira mecânica o pensamento de outros, mas para que ele pudesse cultivar seu próprio pensamento livre e autônomo. Não se tratava, portanto, de se reproduzir de forma mecânica pensamentos alheios.

TECNOLOGIA

A ágora da pós-modernidade não é mais um local físico, é o ciberespaço. Hoje, não se pode negar ou impedir a expansão do mundo tecnológico e virtual para praticamente todas as áreas de nossas vidas. Na ágora, embora muitas vezes o diálogo pudesse ser desigual, todos desejavam saber algo e relevante sobre si mesmo e sobre o mundo.
Ensinar passou a ser o mesmo que aprender e aprender o mesmo que ensinar. Esse diálogo filosófico se desenvolveu por meio da linguagem oral (dinâmica e pública), pela escrita (imóvel e expansiva) até chegar ao atual diálogo hipertextual.
Nesse contexto é importante recordar, por exemplo, que o grande filósofo grego Sócrates não deixou nada escrito, e transmitia seus ensinamentos de forma oral. O seu discípulo Platão passou a “escrever” seus discursos. Com a expansão do uso da escrita ocorreu a “morte” do diálogo, a arte da dialética.
Com o hipertexto digital surgiram novos instrumentos para a Filosofia. O diálogo humano ganhou uma nova dinâmica com a dialética eletrônica onde cresce o debate da filosofia contemporânea, da mesma forma que nas antigas praças públicas e academias da Grécia Antiga. A WEB além de ser atualmente o principal meio da comunicação planetária em que as pessoas interagem “todos com todos” de acordo com o filósofo Pierre Lévy, se tornou o palco da dialética hipertextual.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Cientista e a eternidade


De olho no universo: O cientista e a eternidade
Carlos Romero Filho
do Portal Correio.


Entre as indagações mais profundas que o homem já se fez está a seguinte: o Universo sempre existiu? Em outras palavras, houve um começo de tudo? E ao refletir sobre o assunto é natural que sejamos levados a uma segunda questão: o Universo terá um fim?
Até o início do século XX, questões como essa eram discutidas exclusivamente no âmbito da Filosofia, ou da Religião. A Ciência parecia se mostrar completamente impotente para abordar tal tema. A teologia ocidental, por outro lado, oferecia uma resposta: o Universo teve, sim, um começo, quando foi criado por Deus. Todavia, ao defender a idéia de uma “criação” do Universo, os teólogos se deparavam com um sério problema. Porquanto, se o Universo, que compreende todas as coisas existentes, teve um início, com relação a que relógio se deu tal “início”? Não seria necessário admitir a preexistência de um “relógio cósmico”, anterior ao próprio Universo?... Para resolver contradições como essa, o arguto filósofo escolástico Santo Agostinho respondia com a afirmação de que Deus teria criado o tempo junto com o Universo, tornando desnecessária a existência prévia de um relógio.
Não era essa a visão de Newton, cientista inglês considerado o fundador da Física Clássica. Para Newton, o tempo tinha um carácter metafísico, absoluto, independente de qualquer observador, independente mesmo de toda realidade material, não podendo, portanto, ter sido criado juntamente com o Universo.
Por outro lado, para a filosofia, a solução teológica não parecia convincente. O problema do início do tempo, - ou do Universo, continuaria a ser intensamente debatido pelos filósofos, até o aparecimento de Immanuel Kant, cujas idéias causaram uma profunda mudança no pensamento filosófico moderno. Realmente, Kant, com sua “Crítica da Razão Pura”, pareceu encerrar de uma vez por todas a questão. Para o filósofo alemão, qualquer que seja nossa resposta à questão do início do Universo, seremos levados a uma contradição lógica, ou, uma “antinomia”, como se diz no jargão filosófico. Segundo Kant, também nunca poderemos saber se o Universo é espacialmente finito ou não. Não pretendo discutir aqui os argumentos de Kant, o que tomaria muito tempo, mas o fato é que, depois dele, ficou-se com a impressão de que, assim como a Ciência da época, a filosofia se revelaria definitivamente incapaz de abordar a mais fundamental das questões.
Acontece que esse cenário filosófico negativo não perduraria por muito tempo. Uma teoria científica revolucionária, nascida no início do século XX, parecia destinada a abrir novos horizontes em nossa concepção do mundo. Refiro-me à teoria da relatividade geral, formulada por Albert Einstein em 1915, que de uma maneira radical veio revolucionar completamente as noções de espaço e tempo concebidas pela Física clássica, desde sua criação por Newton. Mas, como é possível que uma teoria da Física tenha algo a dizer a respeito do início do mundo? Tal questão não parece transcender à Ciência?

A verdade é que Einstein, após ter conseguido inesperado êxito na explicação de vários fenômenos físicos ligados ao eletromagnetismo e à gravitação dos corpos, percebeu que sua nova teoria teria também muito a dizer sobre o nosso Universo considerado em sua totalidade. Isto era inteiramente novo, pois jamais uma teoria da Física tinha sido capaz de tratar o Cosmos como um sistema físico, possuindo uma dinâmica própria e sujeito a leis matemáticas, estas passíveis de serem descobertas pela observação e experimentação. Foi, então, a partir dessa constatação que o sábio alemão ousadamente construiu o primeiro modelo matemático do Cosmos. Nascia assim o chamado “Universo de Einstein”, que para perplexidade de muitos era finito, e não infinito, como se pensava antes.
Surge agora a indagação: com o modelo relativístico de Einstein, que se pode afirmar a respeito do início do Universo? A verdade é que, consistente com os dados observacionais e astronômicos disponíveis na época, o modelo de Einstein descrevia um universo eterno, sem começo e sem fim. Tratava-se de um universo estático, isto é, sem maiores mudanças, quando se considera uma escala cosmológica. Mas, tinha uma novidade, que era sua forma: finito e encurvado sobre si mesmo parecia uma gigantesca esfera tridimensional.
O Universo de Einstein teve vida curta. Uma descoberta surpreendente da Astronomia logo fez os cientistas abandonarem a concepção Einsteiniana. De fato, em 1929, o astrônomo americano Hubble descobriu que em cada ponto do Universo as galáxias se distanciavam umas das outras. O significado dessa observação era evidente: o Universo estaria em expansão. Ora, tal conclusão estava em flagrante contradição com o universo estático de Einstein. Era necessário, portanto, construir um novo modelo cosmológico, um modelo em que o Cosmos apresentasse uma natureza dinâmica, evolutiva, que desse conta desse movimento de expansão. Não demorou muito e tal modelo foi formulado. Seu autor: um desconhecido matemático e físico russo chamado Alexander Friedmann. O modelo de Friedmann, que também se utiliza da teoria da relatividade geral, levava a uma conclusão inesperada e estranha: o Universo teria tido um começo! Possivelmente, há cerca de 15 bilhões de anos.
A existência de um início do Universo, de acordo com a proposta de Friedmann, implicava que tanto o espaço como o tempo teriam tido também tido um começo. (Aliás, exatamente como queria Santo Agostinho). O instante zero da criação, quando toda matéria e energia teriam irrompido subitamente, vindo do nada, ficou sendo chamado a “grande explosão”, ou “big-bang”, para usar a expressão inglesa. Numa linguagem mais científica os cosmólogos se referem a este início explosivo como “uma singularidade cosmológica”. Nessa terminologia, podemos dizer que o modelo de Einstein, ao contrário da representação de Friedmann, predizia um universo “não-singular”.
Durante a década de sessenta do século passado, a idéia de que vivemos num Universo singular foi reforçada por argumentos extremamente convincentes apresentados por dois matemáticos ingleses: Stephen Hawking e Roger Penrose. A existência de uma tal singularidade cosmológica, parecia ser uma condição necessária e imperativa da própria teoria da relatividade geral. Não aceitar este fato implicaria rejeitar toda a teoria de Einstein e dados observacionais incontestáveis, algo que a comunidade dos físicos consideraria impensável.
Mas, a história da Ciência parece ilustrar magnificamente o funcionamento das leis da dialética, as quais, como bem percebeu o filósofo alemão Hegel, regem a evolução do nosso conhecimento. É sempre a partir das contradições e da superação destas que avança o conhecimento científico. Nada parece ser definitivo no conhecimento científico, não há verdades imutáveis e tudo tem um carácter provisório. Não poderia ser diferente com a teoria do “big bang”. A teoria do Universo que predizia sua criação súbita engendraria sua própria contradição. E foi assim que, no final da década de oitenta, começaram a aparecer novas alternativas para o paradigma do Universo Singular. E o mais importante: todas elas compatíveis com os dados observacionais mais recentes da Astronomia.
As novas teorias do Universo baseavam-se no argumento de que se a teoria original de Einstein sofresse pequenas modificações, as conseqüências inexoráveis dos teoremas de Hawking e Penrose seriam evitadas. A partir deste momento novos cenários do Cosmos começaram a aparecer, agora contando outras histórias... E entre essas, peço permissão ao leitor para contar uma delas, bem particular. Uma história que relata um fato científico, do qual tive a feliz oportunidade de tomar parte.
No final dos anos oitenta concluí meu doutorado em Cosmologia, disciplina que me fascinava pela magnitude e relevância das questões de que tratava. Particularmente atraído pelo mistério do Universo primordial, eu me sentia excitado com as propostas de novas teorias que defendiam a idéia de um universo não-singular. Nessa época, a teoria da gravitação de Einstein passava por uma espécie de revisão em vários sentidos. Era como se todas buscassem novas idéias para explicar o universo primordial, e oferecer uma resposta alternativa à questão da singularidade inicial. Uma delas me chamou a atenção pela sua elegância matemática: a chamada teoria de Einstein-Cartan, uma modificação da relatividade geral.
Foi nessa época que conheci Mário Assad, que, assim como eu, tinha acabado de defender sua tese de doutorado em Cosmologia. Duas circunstâncias, nessa ocasião, me pareceram muito favoráveis: Mário era um especialista da teoria de Einstein-Cartan e estava regressando à UFPb para lecionar e formar um grupo de pesquisas. Era portanto, quase inevitável, que começássemos uma colaboração científica. E para minha surpresa, partiu dele a iniciativa de investigar o que eu já tinha em mente: a dinâmica do Cosmos na teoria relativística de Einstein-Cartan. Detentor de uma sólida formação em Cosmologia, Mario me falou, de uma conjectura sua. O Universo seria eterno, como no velho modelo de Einstein, porém com uma diferença: não seria estático, mas oscilante, alternando fases de expansão e contração. Segundo o pensamento dele, estaríamos agora numa fase de plena expansão, num regime em que todas as galáxias se distanciam umas das outras. Continuando, seguir-se-á uma fase em que teremos o reverso desse movimento. Nessa fase posterior, o Universo começaria a se contrair, tornando-se cada vez mais denso. Aí a temperatura do Universo atingiria níveis altíssimos, fazendo com que a matéria na forma em que a conhecemos se desestruturasse completamente. Até que...
Não, leitor, nesta fase de contração o Universo não se tornaria singular, com tudo que existe se concentrando num único ponto. Não haveria o colapso total da matéria e nem do próprio espaço-tempo. No novo modelo cosmológico imaginado por Mário Assad, a singularidade cósmica seria evitada e o Universo voltaria a se expandir como antes, num eterno movimento de expansão e contração. Haveria naturalmente um mecanismo capaz de produzir uma força de repulsão que evitaria o colapso gravitacional. E de onde viria tal força? A resposta é que a repulsão viria de uma propriedade muito curiosa da matéria: o spin das partículas elementares. O spin, uma propriedade quântica da matéria, daria origem ao que os físicos teóricos chamam de torção do espaço-tempo. O spin: eis aí um dado que não havia sido levado em conta na teoria da relatividade geral. Confesso que experimentei grande prazer estético com tal conjectura e me lembrei de que a mesma idéia de um universo eterno e oscilante, sem início nem fim, já havia fascinado outros cosmólogos, entre eles John Archibald Wheeler, um dos mais criativos cientistas do século passado.
Concluímos nossas investigações sobre modelos cosmológicos na teoria de Einstein-Cartan em pouco mais de um mês. Não me esqueço da enorme satisfação que tive ao verificar que os cálculos confirmavam as idéias de Mário Assad. Estávamos, sem dúvida, diante de um novo cenário cosmológico. Não era o Universo de Newton, nem de Einstein, nem o de Friedmann, nem muito menos o de Santo Agostinho. Uma pequena modificação da genial teoria da relatividade, que simplesmente levava em conta a presença do spin da matéria, eis aí o ingrediente adicional que conduzia a um resultado bem diferente. O Universo era eterno, pulsava, “respirava”... Curiosamente, representações como essa já haviam aparecido na cosmologia hindu, assim como cosmologia chinesa: uma fase yin, seguida de uma fase yang, num eterno movimento de expansão e contração...
Apesar de termos ficado satisfeitos com o que havíamos feito, a verdade é que não tínhamos a pretensão de ter obtido nenhuma importante descoberta científica. Víamos nosso resultado com um mero modelo matemático um exercício teórico que explorava as conseqüências da teoria de Einstein-Cartan. Mesmo assim, apresentamos nossas conclusões numa conferência na Universidade do Colorado. E no ano seguinte, publicamos nosso trabalho na revista Astrophysics and Space Science, um modesto periódico europeu especializado em Astrofísica. Era o ano de 1990, e eu não sabia que essa seria minha única e última colaboração científica com Mário Assad.
Aparentemente o modelo do Universo eterno e oscilante não teve muita repercussão no meio científico. Até hoje nunca vi uma citação bibliográfica do nosso artigo. Na verdade, eu até já o havia esquecido. Mas, eis então que me deparo com uma curiosa reportagem publicada recentemente pela revista VEJA sobre uma nova teoria de buracos negros, proposta pelo cientista polonês Nokodem Poplawski. Buracos negros são, talvez, a previsão mais estranha da relatividade geral e hoje tornaram-se muito populares na ficção científica. Segundo a teoria padrão da gravitação, no interior de cada buraco negro existe uma singularidade, um ponto onde a matéria atinge uma densidade infinita devido a inexorável colapso gravitacional. Há um fortes evidências de que essas criaturas cósmicas existam mesmo. No entanto, lendo o artigo da VEJA, constato que para Poplawski a matéria no interior de um buraco negro não se tornaria singular. Segundo este cientista, tal singularidade prevista pela relatividade geral é fictícia: forças de repulsão causadas pela torção do espaço-tempo, isto é pelo spin da matéria, superariam a força da gravidade, evitando o colapso. E mais, ainda segundo Poplawski, a teoria da gravitação de Einstein deveria ser substituída pela teoria de Einstein-Cartan! Fiquei perplexo. O mecanismo invocado por Poplawski era exatamente o mesmo do modelo do Universo eterno e oscilante, que Mário Assad tinha concebido vinte anos atrás... Fiquei pensando como é interessante o aparecimento e reaparecimento de idéias idênticas na história da Ciência...
O fato é que se a teoria de Poplawski estiver correta, é possível que possamos encontrar uma resposta à questão do início do Universo. Mas, como ainda é cedo para saber, por enquanto o mistério persiste. Como tantos outros mistérios, que nossa “vã” Ciência ainda não consegue explicar.
Mas, terminemos por aqui, esta conversa que não quer acabar, como se quisesse ser eterna. A verdade, leitor, é que, mudando um pouco de assunto, recontar essa história me deu uma grande saudade dele...Dele, o cientista, o professor, o colega e amigo. O eterno Mário Assad.

sábado, 6 de novembro de 2010

UTOPIA (Tomas Morus)




[...] A utopia faz parte da estrutura histórica do homem: é esta a
mensagem da obra O Princípio Esperança do filósofo marxista alemão
Ernst Bloch (1885-1977), cujos 3 volumes acabam de ser traduzidos para
o português1. Bloch busca demonstrar que o espírito utópico, embora
pareça estar divorciado da realidade presente, vislumbra que o “aqui e
agora” é preocupante; isto é, a utopia deixa margem a uma real crítica do
presente (PE I, 16-20). Ernst Bloch é um pensador da utopia2, como diz
Laënnec Hurbon em seu ensaio sobre Bloch3, sendo considerado como
um dos críticos mais corrosivo da cultura ocidental-cristã.
Nesse sentido, por ser um pensamento essencialmente crítico, a
obra de Bloch permite estabelecer um real diálogo com a Filosofia latino-
americana sob a ótica ligada à problemática do homem situado; isto é, às
questões político-econômico-tecnológicas. Assim, parece ser possível ler
a obra de Bloch a partir de uma ética material de vida, tal como é
desenvolvida por Enrique Dussel em sua Ética e libertação, “ética crítica
a partir das vítimas (pois) são as vítimas, quando irrompem na história,
que criam o novo”4. Eis aqui o campo fecundo da utopia.

[...] *PRINCÍPIO ESPERANÇA E A “HERANCA INTACTA DO
MARXISMO” EM ERNST BLOCH -Antonio Rufino Vieira
Professor associado no Departamento de Filosofia
da Universidade Federal da Paraiba /Participante
dos GP/CNPq Filosofia da Praxis e Etica e Cidadania

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1)A CONCEPÇÃO DA ILHA DE 'UTOPIA' ESTÁ ENRAIZADA EM 2 IDÉIAS PRINCIPAIS:
--->1. a NÃO existência de PROPRIEDADE PRIVADA;
--->2. o alcance dos INTERESSES INDIVIDUAIS.

* A PROPRIEDADE PRIVADA ENTENDE-SE PELA DESIGUALDADE MATERIAL E SE REFERE
MUITO MAIS A PROPRIEDADE PRIVADA COMO A VEMOS HOJE,DO QUE À CONCENTRAÇÃO
DE RIQUEZAS POR DIREITO DE POSSE,COMO NO CASO DA NOBREZA EUROPÉIA TRADICIONAL.
NO TEXTO VIVO HÁ UMA CRÍTICA FERRENHA AO PRÉ-CAPITALISMO INGLÊS.